O Field Service atravessa uma fase de expansão consistente, acompanhando a reorganização das cadeias produtivas e dos serviços técnicos no mundo. Empresas dos setores de telecomunicações, energia, utilities, indústria e infraestrutura aumentam seus investimentos para atender a operações cada vez mais distribuídas geograficamente e mais exigentes em controle, desempenho e confiabilidade.
Projeções de mercado dimensionam essa transformação. A consultoria MarketsandMarkets estima que o mercado global de Field Service Management (FSM) avance de cerca de US$ 4 bilhões em 2020 para mais de US$ 9 bilhões até 2026, com taxa média anual superior a 16%. Já a Fortune Business Insights projeta que o setor ultrapasse US$ 15 bilhões no início da próxima década, impulsionado por automação, conectividade e análise de dados.
Esse crescimento resulta de três vetores estruturais.
Infraestrutura em expansão permanente
Redes de telecomunicações, parques eólicos e solares, sistemas de iluminação pública, data centers e equipamentos industriais ampliam a necessidade de presença técnica contínua. A digitalização não eliminou a base física da economia: ativos produtivos seguem exigindo instalação, manutenção e operação realizadas por profissionais em campo.
Operações técnicas orientadas por informação
A incorporação de plataformas móveis, sensores IoT e sistemas de gestão de ordens de serviço converteu o trabalho em campo em uma atividade monitorada em tempo real. Estudos da Gartner indicam que empresas que digitalizam suas operações de Field Service podem reduzir custos operacionais em até 25% e elevar a produtividade dos técnicos em mais de 20%.
Redefinição do serviço técnico
O modelo centrado apenas na correção de falhas cede lugar à manutenção preditiva, à eficiência energética e à continuidade operacional. A McKinsey estima que a manutenção baseada em dados pode reduzir falhas em até 50% e prolongar a vida útil dos ativos entre 20% e 40%, o que reforça a demanda por equipes especializadas e gestão rigorosa.
O avanço do Field Service não se restringe às economias maduras. Mercados emergentes apresentam crescimento expressivo em projetos de energia renovável, telecomunicações e urbanização, áreas que dependem diretamente de operações técnicas em campo.
O panorama global revela uma inflexão estrutural: o Field Service deixou de ser atividade de suporte para integrar o núcleo da economia real. Onde a infraestrutura se expande, formam-se redes de técnicos, logística e sistemas de controle operando de forma contínua.
A tecnologia não substituiu o trabalho em campo. Ao contrário, ampliou sua relevância ao torná-lo mais mensurável, mais conectado aos dados e mais próximo das decisões estratégicas das empresas.
Por Lara Brum
Jornalista com DRT em Sorocaba (SP)